Mal de Alzheimer Canino

Dra. FláviaProblemas comportamentais tais como ansiedade de separação, agressividade, comportamento obsessivo compulsivo, entre outros, vêm crescendo vertiginosamente nas últimas décadas. Em geral, os veterinários não são treinados em diagnosticar e tratar os problemas comportamentais que são responsáveis pela eutanásia de cerca de 3 a 6 milhões de cães anualmente.

Graças aos progressos na medicina, os cães, assim como as pessoas, estão vivendo mais. Este aumento na expectativa de vida dos cães de companhia vem trazendo novos desafios à medicina veterinária. Dentre eles, encontra-se a dificuldade na diferenciação do envelhecimento normal e o patológico. Uma das principais alterações comportamentais encontrada em cães idosos e associada a um envelhecimento patológico, consiste na disfunção cognitiva canina (DCC), decorrente de alterações neurodegenerativas similares às encontradas na doença de Alzheimer (DA) em humanos, e caracterizada por alterações na orientação, interação social-ambiental, ciclo de sono-vigília, treinamento higiênico e outras atividades realizadas pelo cão.

A disfunção cognitiva canina pode ser definida como uma deterioração da habilidade cognitiva, devido ao avanço da idade, caracterizada por mudanças comportamentais no cão não relacionadas a condições médicas, como neoplasias e insuficiência orgânica. A função cognitiva em cães envolve orientação espacial, memória, aprendizagem, adestramento, reconhecimento e reação aos membros familiares humanos. Os sinais clínicos observados em animais com disfunção cognitiva podem estar relacionados às seguintes categorias: desorientação, interações sociais ou receptividade aos membros da família diminuídas ou alteradas, perda do adestramento anterior e desordens do ciclo sono/vigília.

Indiferentemente das causas destes problemas comportamentais, muitos proprietários são frustrados por uma deterioração perceptível na qualidade de vida de seus animais (que são freqüentemente membros estimados da família) e pelo impacto das sequelas exibidas pelo cão (apatia, sujar a casa, vocalização excessiva).

Uma vez que a DCC decorre de alterações neurodegenerativas progressivas, quanto antes os proprietários relatarem alterações comportamentais em seus animais, antes poder-se-á buscar a causa destas alterações, possibilitando uma intervenção precoce, momento em que geralmente há maiores chances de sucesso terapêutico ou ao menos redução da progressão da doença, melhorando a qualidade de vida e até mesmo a longevidade do animal.

Muitos proprietários encontram grandes dificuldades em lidar com cães com sinais de DCC, especialmente quando as alterações comportamentais envolvem a perda do treinamento higiênico ou o despertar noturno, ou ainda no caso de alterações capazes de transformar uma relação antes próxima e positiva em uma relação mais distante ou até negativa. Com isso, os laços entre cão e o proprietário podem ficar enfraquecidos ou até mesmo se romperem. Por isso, a importância da conscientização de proprietários e veterinários para a ocorrência desta condição de envelhecimento patológica. Caso proprietários notem algum desses sinais da doença em seus animais, favor procurar imediatamente, um médico veterinário.

Dra. Flávia Regina Cruz Dias
Médica Veterinária – CRMV-RJ 6.041
Atendimento na Bichos e Caprichos Pet Shop

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